1989-05 /1 | Acupuntura


MEDICINA ORIENTAL - A ACUPUNTURA

A Acupuntura é o conjunto de conhecimentos teórico-empíricos da medicina chinesa tradicional que visa à terapia e à cura das doenças através da aplicação de agulhas e de moxas, além de outras técnicas. Esta ciência surgiu na China em plena Idade da Pedra, isto é, há aproximadamente 4.500 anos. Segundo a teoria da Acupuntura, todas as estruturas do organismo se encontram originalmente em equilíbrio pela atuação das energias Yin (negativas) e Yang (positivas). Por exemplo: pelo princípio de Yin e Yang podem-se explicar os fenômenos que ocorrem nos órgãos através dos conceitos de superficial e profundo, de excesso e deficiência, de calor e frio. Desse modo, se as energias Yin e Yang estiverem em perfeita harmonia, o organismo, cena-mente, estará com saúde. Por outro lado, um desequilíbrio gerará a doença. A arte da Acupuntura visa, através de sua técnica e procedimentos, a estimular os pontos reflexos que tenham a propriedade de restabelecer o equilíbrio, alcançando-se, assim, resultados terapêuticos.

Definição de acupuntura

O termo "Acupuntura" foi cunhado por médicos europeus. Deriva do latim "Acus" = ponto e "pungere" = fincar. Na China, a arte se denomina Tschen Tschiu. Ambas as designações indicam a mesma coisa: a Acupuntura. Esta é um método terapêutico que alivia ou elimina enfermidades ou perturbações dos diversos órgãos do corpo humano mediante o estímulo de pontos cutáneos bem determinados. O segredo do êxito reside na relação existente entre nossa pele e os órgãos internos com as respectivas funções. Tal relacionamento vem sendo discutido há muito tempo. Desempenha papel decisivo em qualquer sistema terapêutico. Assim, por exemplo, a medicina ocidental aplica frio ou calor sobre a pele, a fim de influenciar órgãos internos; acredita igualmente que a injeção de determinados medicamentos em áreas circunscritas da pele vá agir diretamente sobre órgãos distantes.

Conhecem-se igualmente relações inversas: os órgãos internos podem "irradiar" dores para áreas dérmicas bem afastadas deles — como do coração para o braço esquerdo, da vesícula biliar para o meio das omoplatas, das vértebras cervicais para os olhos. O conhecimento exato deste relacionamento exigiu dezenas de anos de estudos e observação. A Acupuntura sintetiza as experiências de incontável número de pessoas no decurso de alguns milhares de anos. Por esta razão, o sistema de pontos e meridianos parece complexo a quem se inicia em seu estudo. No entanto, o princípio é bem simples: Determinados pontos na pele têm estreita relação mútua com as funções de órgãos internos. Estes pontos se situam em linhas mestras, os "meridianos". Todos os meridianos apresentam disposição simétrica, isto é, repetem-se em cada metade do corpo, com número igual de pontos de Acupuntura. Existem ao todo doze meridianos principais, doze secundários e oito especiais.

Os meridianos

Os órgãos do corpo não são influenciados apenas por pontos cutâneos. Por outro lado, pontos principais não agem apenas sobre um órgão. A interação se efetua sempre entre as linhas-mestras (meridianos) e todo um grupo de órgãos. A experiência mostrou que estes grupos apresentam sempre alguma similaridade. Na antiga medicina chinesa, estas semelhanças foram relacionadas com as duas correntes de polarização da energia vital — "Yin" e "Yang". Atualmente o conceito foi abandonado. No entanto, ele não deixa de ter um fundo de razão, inteiramente em consenso com os preceitos da moderna ciência médica. Também ela diferencia dois sistemas de comando, opostos entre si. Todo órgão é controlado pelos nervos não-voluntários ("vegetativos"). Este controle é exercido simultaneamente por dois sistemas de nervos: os simpáticos e os vagotônicos. Os nervos simpáticos comandam a operosidade, a energia, o entusiasmo e a produtividade. Os nervos vagotônicos induzem à calma, ao repouso e ao sono.

Os pontos de acupunctura situam-se sobre meridianos que percorrem o corpo.

Meridianos e sua Ação

Coração (I) - Coração e psiquismo.

Intestino Delgado (II) - Todas as mucosas e descontração dos músculos lisos.

Bexiga (III) - Todas as funções de excreção do corpo.

Rim (IV) - Rim, circulação do sangue.

Senhor do Coração (V) - Sexualidade e circulação do sangue.

Triplo-Aquecedor (VI) - Respiração, digestão e excreção.

Vesícula Biliar (VII) - Psiquismo, vesícula biliar e distensão muscular.

Fígado (VIII) - Fígado, metabolismo e convalescença.

Pulmão (IX) - Pulmão, brônquios e cavidade bucal.

Intestino Grosso (X) - Digestão e excesso ou carência de peso.

Estômago (XI) - Estômago e harmonização de todos os processos psíquicos.

Baço (XII) - Baço, pâncreas, tecido conjuntivo e composição do sangue.

Concepção (XIII) - Pontos de alarme e sexualidade.

Governador (XIV) - Dentes, indisposições e dores.

Os Doze Meridianos Principais

Dispostos simetricamente em relação ao eixo sagital do corpo, eles percorrem a cabeça, o tronco, o abdome e os membros, ora sobre a parte anterior do corpo, ora sobre a parte posterior, formando um sistema de circulação fechada. Cada um deles apresenta seu trajeto próprio, seu horário energético determinado, e corresponde a um órgão, a urna víscera ou a urna função de que recebe o nome:

— os meridianos correspondentes aos cinco órgãos, sendo como estes de natureza Yin, são: os meridianos do fígado, pulmão, coração, baço e pâncreas, rim;

— os meridianos correspondentes às cinco vísceras, sendo como estas de natureza Yang, são os meridianos do estômago, intestino delgado, vesícula biliar, intestino grosso, bexiga; — os meridianos correspondentes às duas funções especiais são o meridiano da "circulação — sexualidade", de natureza Yin, e o meridiano do "tríplice reaquecedor", de natureza Yang.

Nesses trajetos, a circulação da energia efetua-se de acordo com um horário imutável.

— Nas 24 horas, ela evolui numa progressão inicialmente centrífuga e depois centrípeta, entre o corpo e os membros (50 vezes o percurso total).

— Ao mesmo tempo, ela sofre de duas em duas horas uma variação de seu fluxo que outorga a cada meridiano um período de atividade máxima, e esse período de plenitude, que corresponde às horas em que se situam de preferência as manifestações patológicas inerentes à função abrangida por esse meridiano (todos conhecemos as crises hepatobiliares no meio da noite, a crise de asma nas primeiras horas da manhã, as manifestações cardiovasculares no meio-dia e no fim do dia), condiciona também o período de melhor resposta à terapêutica peias agulhas.

— Ainda, ao mesmo tempo, submetida à lei da alternância universal, ela sofre de quatro em quatro horas uma mutação Yin-Yang ou Yang-Yin.

Os Cinco Tipos de Pontos

Nem todo ponto e nem todo meridiano tem a mesma importância. Pesquisas mais recentes mostraram que existe um total de cinco tipos de pontos de importância variada:

— No início e no fim de cada meridiano ficam os "pontos de harmonização"; a estimulação dos mesmos equilibra as funções dos órgãos que estejam ligados a determinada linha condutora de energia.

— A energia e a atividade de um órgão são aumentadas pela estimulação do "ponto de ativação"; cada linha condutora de energia possui um ponto de ativação que reage especialmente às agulhas de ouro.

— Se a intenção for de sedar ou diminuir a intensidade do funcionamento de determinado órgão, então será estimulado o "ponto de sedação"; cada meridiano possui um desses pontos.

— "Pontos especiais" são os pontos principais, que geralmente não têm nenhuma conexão com as linhas condutoras de energia conhecidas; pontos especiais se mostraram muito úteis no tratamento de doenças da civilização moderna.

— Denominam-se "pontos de alarme" ou "Mu" aqueles que fornecem indicações importantes no diagnóstico de enfermidades de determinado órgão; são muito dolorosos nos casos de enfermidade.

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FICHAS ESPIRAL — Centro para a divulgação de alternativas

MAIO 89 | N.º 2



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