Violência Alimentar



A nossa desconexa sociedade, atenta às notícias que emitem muito ruido, mas pouca substância que acresça sabedoria em vez de medo, embebeda-se de telejornais, reality shows, anúncios publicitários...

À notícia da decapitação, segue-se o anúncio do leite de vaca. À do pai que assassinou os filhos, segue-se a bolacha “crunch" e a super bebida gaseificadas, agora light e, ainda pelo meio, um hambúrguer e um supercarro rápido, versátil, conduzido por um jovem com ares do D. Quixote.

Nesta precipitação noticiosa, o cérebro do expectador é maliciosamente ludibriado. Tudo é milimétrica e cientificamente trabalhado com o único objetivo de comandar impulsos cerebrais geradores de desejos direcionados ao prazer, a ostentação, à beleza e a outros êxtases orgásmicos.

A poderosa indústria alimentar incorpora-se no cérebro humano, que, na hora das compras, obedece aos estímulos publicitários, enchendo carrinhos de lixo alimentar tóxico.

Fica tão fácil comprar um menu sem sair do carro, quente, acabado de fritar, e uma bebida doce, gelada, com pedras de gelo que aguentam até chegar a casa, ou come-se mesmo dentro da viatura. Tão fácil como comprar menus meio-cozinhados que passam pelo micro-ondas e em minutos despacham uma refeição ou ainda misturar uns enlatados com uma maionese de frasco, umas batatas fritas de pacote e um pudim flan com validade de seis meses. Sem problema, porque quando o estômago "avariar" tomam-se para o resto da vida os vulgares químicos protetores de estômago, depois os anti colesterol, antidiabéticos, hipotensores, anticoagulantes do sangue, etc.

Tudo isto é tão normal como decapitar corpos no Médio Oriente, assassinar um familiar ou morrer de cancro. São notícias corriqueiras…. Diz-se que são sinais dos tempos, mas na verdade são sinais do facilitismo alimentar, aniquilador do aporte de nutrientes naturais, absolutamente necessários a uma boa saúde física e mental (discernimento-emoção-ação).

Nesse frenesim noticioso, convencem-se as massas de que o inimigo e' o indivíduo que cometeu o crime. Que o vilão é o jovem ou grupo de jovens delinquentes, obedecendo cegamente a uma hierarquia eventualmente fundamentalista. Não é.

O inimigo somos nós, ocidentais, que escolhemos o facilitismo, a preguiça, a ostentação e o prazer, num perfeito desrespeito pelo corpo, mente e Espírito.

Após a Revolução Industrial, julgámo-nos os maiores, os mais inteligentes, mas isso agora está-nos a sair caro. A arrogância humana atingiu um patamar insustentável que compromete a normal persecução da vida tal como a conhecemos e, ainda assim, esta raça não enxerga a eminente destruição.

Destruição gera destruição. Fornos nós que começámos quando contaminámos a nossa própria saúde e a dos nossos descendentes, alimentando-os com alimentos industriais químicos, desvitalizados, tornando-os viventes, mas não pensantes.

Pais, filhos, várias gerações de mortos-vivos que comem, mas não se alimentam. Gerações degeneradas cerebralmente, vulneráveis a estímulos adrenalínicos. Cérebros carentes de nutrientes naturais, apenas obtidos através de uma alimentação sadia, que nem eles e talvez já nem as suas mães se lembram que existe.

Quando induzimos atos de terrorismo ao nosso próprio corpo, agredindo-o continuamente com toda a espécie de venenos alimentares, medicamentosos e muitos outros. Quando nos permitimos ser manipulados por "chips" consumistas num completo desrespeito pela máquina perfeita que se chama corpo humano. Somos, na verdade, obsessivos e fundamentalistas. Parece que o fundamento deste povo é a destruição da sua própria raça, não antes de destruir o lugar por onde passou.

Os outros são só o reflexo e o resultado de nós. “Somos o que comemos”.

Ana Silva

Publicado na Revista Saúde Actual n.º 69

24 de Março, sábado, 15h30/19h30 na Cozinha do Restaurante

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