Enquanto Possuirmos Nunca Poderemos Amar


05/08


Enquanto Possuirmos Nunca Poderemos Amar

Conhecemos o amor enquanto sensação, não é verdade?Quando dizemos que amamos, conhecemos o ciúme, conhecemos o medo, a ansiedade. Quando vocês dizem que amam alguém, tudo isto está implicado; a inveja, o desejo de possuir, o desejo de ter, de dominar, o medo da perda, e assim por diante. A tudo isto chamamos nós amor, e não conhecemos o amor que não vem acompanhado pelo medo, pela inveja, pela posse; apenas verbalizamos esse estado de amora que é alheio o medo, chamamos-lhe impessoal, puro, divino ou sabe Deus mais o quê; mas o facto é que somos ciumentos, somos dominadores, possessivos. Só poderemos conhecer esse estado de amor quando cessar em nós o ciúme, a inveja, o sentimento de posse, o domínio; e enquanto possuirmos nunca poderemos amar…

Quando é que vocês pensam na pessoa que amam? Pensam nela quando ela está ausente, quando está longe, quando vos deixou… Portanto, vocês sentem a falta da pessoa que dizem que amam quando estão de alguma forma perturbados, quando estão a sofrer; e enquanto vocês possuírem essa pessoa, não têm de pensar nela, porque na posse nada vos está a perturbar…O pensamento surge quando estão perturbados, e vocês estão condenados a esse estado de perturbação enquanto o vosso pensamento for aquilo a que vocês chamam de amor. Certamente o amor não é uma coisa da mente; e como as coisas da mente têm preenchido os vossos corações, não temos amor. As coisas da mente são o ciúme, a inveja, a ambição, o desejo de ter alguém, de ter sucesso. Estas coisas da mente preenchem os vossos corações, e então vocês dizem que amam; mas como é possível que amem se têm todos estes elementos confusos em vós? Quando há fumo, como é possível que haja uma chama pura?

A Vida, de J. Krishnamurti, Editorial Presença

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