Poderá a Felicidade ser encontrada por meio de alguma coisa?


03/08


Nós procuramos a felicidade por meio das coisas, dos relacionamentos, dos pensamentos, das ideias. Portanto as coisas, os relacionamentos e as ideias revestem-se de toda a importância e não a felicidade. Quando procuramos a felicidade por meio de alguma coisa, então essa coisa torna-se mais valiosa que a própria felicidade. Quando colocado desta forma, o problema parece simples, e é de facto simples. Procuramos a felicidade na propriedade, na família, no nome; então, a propriedade, a família, a ideia são investidas de toda a importância, porque então a felicidade é procurada através de meio, e então o meio destrói o fim. Poderá a felicidade ser encontrada através de qualquer meio que seja, através de algo construído pela mão ou pela mente?

A impermanência das coisas, dos relacionamentos e das ideias é tão óbvia, que só nos pode trazer infelicidade… as coisas não são permanentes, elas gastam-se e perdem-se; os relacionamentos são uma fricção constante e a morte espera-os; as ideias e as crenças não têm qualquer estabilidade, não são permanentes. Procuramos a felicidade neles sem nos apercebermos da sua transitoriedade. Por isso a tristeza torna-se nossa companheira de todas as horas, e ultrapassá-la torna-se o nosso problema.

Para descobrirmos o verdadeiro significado da felicidade, temos de explorar o rio do autoconhecimento. O autoconhecimento não é um fim em si mesmo. Poderá algum rio ter a sua fonte? Cada gota de água, desde o início até ao final, constitui o rio. É um engano imaginarmos que iremos encontrar a felicidade na fonte. Ela será encontrada no local do rio do autoconhecimento em que vocês se encontram.

A Vida, de J. Krishnamurti, Editorial Presença

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