A Sociedade Teosófica - Uma visão aberta e geral.


A SOCIEDADE TEOSÓFICA – UMA VISÃO ABERTA E GERAL

CARLOS GUERRA / JULHO DE 2015

A palavra crise tornou-se um lugar-comum nos dias de hoje. À palavra crise corresponde uma realidade física e psicológica complexa cujas raízes podem ser encontradas em tudo aquilo que é de natureza autocentrada no ser humano.


É justificável a procura de um entendimento dessa realidade complexa, marcante na vida quotidiana. É igualmente justificável a consequente procura de soluções que viabilizem o nosso bem-estar. Tal entendimento e tais soluções implicam uma reflexão livre e amorosa sobre a atualidade, mantendo acesa a consciência de que tudo é transitório. A crise em si mesma é um fenómeno que se perde no tempo.

Organizações espirituais, sociais, políticas, podem conduzir-nos a um falso entendimento e a falsas soluções, sobretudo se essas organizações nos oferecerem tudo aquilo que possa satisfazer o eu, nele alimentando o egocentrismo, anunciando promessas de realização pessoal fácil e eficaz. Ser capaz de questionar com abertura, sem qualquer género de arrogância, ser fraternalmente crítico e encarar a regeneração de si mesmo como ponto de partida para a regeneração da humanidade como um todo, é fundamental.

Ativa em praticamente todo o mundo desde 1875, a Sociedade Teosófica pode contribuir sobremaneira para a regeneração de si mesmo – a regeneração fundamentada numa visão não fragmentada e positiva da vida na sua diversidade de formas, humanas e não humanas. Uma tal regeneração não é um meio nem um fim. Em qualquer momento, ela pode surgir de forma natural a partir daquilo que é o dinamismo do autoconhecimento, cuja base é a predisposição interior, não condicionada, para a observação de si mesmo. A verdadeira observação de si mesmo implica o não ajustamento a métodos e regras conducentes a metas predefinidas, faz-se na relação com os outros e com as coisas. A regeneração humana não é uma questão de busca espiritual estreita, fatigante no recurso a esforços inconsequentes.

A Sociedade Teosófica lança desafios claros a todos aqueles que dela se aproximem. Tais desafios estão expressos nos seus três objetivos:

1. Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor.

2. Encorajar o estudo comparado das Religiões, das Filosofias e das Ciências.

3. Investigar as leis inexplicadas da Natureza e os poderes latentes no Homem.

O nome da Sociedade Teosófica tem origem num dos nomes usados para nos referirmos a uma Sabedoria Antiga que liga entre si todas as religiões, na sua dimensão mais profunda – Teosofia.

A Teosofia é insuscetível de transformar-se em mero objeto de crença, dada a sua natureza universal.

Nada nela aponta para qualquer género de culto. A Teosofia jamais será objeto de posse de alguma organização, de algum grupo. Assim, também a Sociedade Teosófica não encara a Teosofia como algo seu, nem tão-pouco como um mero corpo de doutrinas detentoras da verdade, mas sim como um vasto campo de hipóteses de investigação que os seus membros poderão levar a cabo, se for vontade sua.

Na base dessa investigação, a visão da vida como um todo indivisível é essencial. Acrescente-se a importância da investigação feita em reflexão partilhada, de forma fraterna e livre. Tal como afirmou Radha Burnier, presidente internacional da Sociedade Teosófica de 1980 a 2013, os dois grandes pilares da Sociedade Teosófica são a fraternidade e a liberdade. Vivida como uma corrente em permanente movimento, a aprendizagem resultante de uma reflexão partilhada será sempre mais

completa e transformadora.

Nada se impõe aos membros da Sociedade Teosófica, nada se lhes oferece. No entanto, a todos se incentiva o interesse pela procura de um entendimento filantrópico e ético, sobretudo do seu primeiro objetivo – formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor.

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