Irmandade da Serpente da Alba «Questões e Tradições»



QUESTÕES & TRADIÇÕES com a IRMANDADE DA SERPENTE DA ALBA

Apresentação com o seu dirigente e fundador Gilberto Lascariz

e anuncio do novo ciclo de trabalhos da ISA

- DIA: 24 DE JULHO (sexta-feira) - HORA: 19:30h - LOCAL: Sala de Actividades Espiral

Apresentação e Venda

por encomenda do DVD «QUESTÕES & TRADIÇÕES - Ordens e Movimentos Espiritualistas em Portugal: IRMANDADE DA SERPENTE DA ALBA»

Uma entrevista exclusiva com Gilberto Lascariz

VEJA NO YOUTUBE EXCERTO DO VÍDEO CLICANDO AQUI

ou copie e cole o seguinte link:

https://www.youtube.com/watch?v=ejaLVU4ifGk

A Irmandade da Serpente da Alba

- A Via da Serpente e do Louco -

A Irmandade da Serpente da Alba é uma fraternidade iniciática na tradição do Paganismo Teúrgico e Prometeico, de inspiração Fáustica, fazendo parte da série de emanações organizativas de natureza telémica e tifoniana do Novo Aeon de Saturno em que vivemos, pela sua ligação ao Mito Iniciático do Dragão e da Mulher Escarlate. A Serpente da Alba é o símbolo do Adepto Iluminado, ao modelo de Sesa-Ananta do Mahabarata e de Azhi Dahaka do Avesta, que se realiza Divindade entre os mundos, o das Trevas e o da Luz, unindo-os e anulando-os no Homem-Serpente de Luz. O Adepto é aquele que incendeia a fogueira onde incinera a sua própria humanidade, exterminando-a no fogo de sua própria Ipseidade. Caim, o Filho da Serpente, é o modelo de Adepto Mágico Masculino, assim como Naamah é a do Adepto Mágico Feminino.

Trata-se de uma Via Fáustica, característica das antigas vias heróicas do Paganismo Prometeico e do culto do Daimon, também conhecido como Paredros ou Augoeidos, e que sobreviveram em práticas xamânicas setentrionais, nos grimórios herméticos greco-egípcios, nas tradições teúrgico-goéticas, ainda não deturpadas pelo Cristianismo, assim como nos processos de transferência da consciência no Duplo, tal como era praticado nas Vias Sabáticas medievais e renascentistas. Nesta Via, a Via da Serpente e do Louco, predomina o Feminino Mágico aliado ao Masculino Heróico, já sugerido nas histórias do Graal, e que no mundo moderno eclodiu, sobretudo por via telémica, na imagem da Mulher Escarlate e da Besta. Por este motivo os rituais da Irmandade seguem não o «caminho linear das Ordens», como dizia Fernando Pessoa, mas o Caminho Tortuoso da Serpente, o Filho Draconiano da Grande Mãe, Nox ou Nuit, através de ritos celebrados ora no Templo Negro, ora no Templo Escarlate de nossa Irmandade.

Ao contrário das Ordens, que uma vez criadas se perpetuam, ao modelo de uma igreja, num processo declinante de densificação e ossificação em doutrinas e ritos meramente dramáticos e litúrgicos, a Irmandade da Serpente da Alba desenvolve-se ao longo de curtos ciclos sucessivos de tempo, de três anos cada um. Um ciclo de 3 anos de intensa criação e actividade seguido de outro de 3 anos de dormência e dissolução, de forma semelhante aos dias e noites terrestres e aos ciclos de Pralayas do Vishnu Purana. Desta maneira a nenhum Iniciado é permitido alienar-se na estrutura social da Irmandade, sendo perpetuamente devolvido à sua solidão criativa e perpetuamente reabsorvido na comunidade mágico-teúrgica, em ciclos trinitários de trabalho, ora em solidão ora em comunidade.

Nesta organização confluem várias Tradições e Linhagens que advêm não só da Bruxaria Tradicional Britânica como do Voodoo Gnóstico, da Teurgia Pagã Neo-Platónica, da Tradição Telémica e da Gnose Faústica e Draconiana. A sua fonte de inspiração encontra-se em tradições gnósticas de carácter cainita e ofita; nas práticas das heresias gnósticas dos Luciferianos medievais nas regiões da Renânia; assim como no Sabat das bruxas pirenaicas. Todas estas tradições são algumas das muitas faces históricas da Antiga Serpente, símbolo de um processo espiritual antinómico que se faz unindo e transcendendo os Opostos, transcendendo os próprios Deuses e o próprio Deus. Aleister Crowley, Austin Osman Spare, Kenneth Grant e Andrew Chumbley foram os pioneiros modernos desta Via, a Via da Serpente e do Louco. Em Portugal ela emerge timidamente em Fernando Pessoa e em Raul Leal, desaparecendo desde então até à fundação da presente Irmandade da Serpente da Alba.

Sendo uma Irmandade altamente operativa, sob o ponto de vista teúrgico e goético, a atribuição de graus de Iniciação é estritamente íntima e pessoal. A Irmandade proíbe qualquer exibição óbvia em rito ou em público do seu Grau de Iniciação, sendo a nossa presença física em rito feita ao estilo adâmico ou priscilianista. Noutra nomenclatura, estamos em rito “vestidos de céu”, tal como promoviam algumas seitas jainitas indianas sob o jargão de «digambara» e praticava a tradição visionária e xamânica do Sabat. Dessa maneira impedimos a fixação egotrópica tanto no estatuto mundano como no estatuto iniciático, que adormece o dever e a responsabilidade de Despertarmos e nos Autocriarmos perpetuamente a nós mesmo enquanto Andrógino Divino, destruindo as barreiras culturais e religiosas que nos alienam.

A única hierarquia visível em rito, por uma questão prática de condução das cerimónias de Inversão e Apotheosis através do processo de «Assunção de Formas Divinas», é a representada pela Alta-Sacerdotisa, encarnação da Mulher Escarlate na sua dupla epifania de Grande Mãe Negra e Estéril e de Mãe Brilhante e Fértil, assim como do Alto Sacerdote e Magister, a epifania da Besta, termos que devem ser entendidos à luz do Novo Aeon. Toda a nomenclatura bíblica e teológica para estes termos é semanticamente obsoleta e deve ser sabiamente rejeitada.

Ao longo do ano a Irmandade segue 33 ritos, vinte e cinco ritos lunares e oito ritos solares, correspondentes ao corpo suprafísico da Grande Serpente, isto é, os 33 ossos da coluna espinal, segundo Michael Hoffman, que servem de apoio cósmico à ponte gnósica entre a consciência individual e a consciência supra-individual. Por ela, as Vértebras da Serpente, circula a Energia Primal, o Kia, dentro da Carne do Iniciado, o Zos. Este calendário ritual é orientado e organizado, também, em relação às posições astronómicas de Sírius, tanto na sua aurora invernal pelo crepúsculo como na sua aurora de estio pela alba, e são coordenados pela ascensão das constelações do Dragão e da Ursa Maior. As suas posições abaixo ou acima do horizonte visível servem de ponteiros do relógio cósmico que determinam os momentos de celebração de todos os Ritos de Apotheosis.

Contrariamente às Ordens do Velho Aeon, a Irmandade segue uma praxis ecosófica e geosófica de valorização espiritual da Terra e do Corpo como Portão de acesso a Daath Elyon, o Conhecimento Superior, e Locus de intersecção visionária do Espírito e da Matéria. A sua designação Serpente da Alba é, por isso, indissociável da alba espiritual da alma mítica de Ofiussa. Por detrás destas metáforas geosóficas oculta-se o despertar aeónico da Antiga Serpente e da Grande Deusa Negra, expressa nas placas funerárias ibéricas de xisto. Porém, esses impulsos reemergem agora numa oitava superior de manifestação como fermento gnósico de uma nova consciência ecosófica. Na expressão Serpente da Alba oculta-se a Serpente como o Arcano Iluminativo Ante-Cristão da Alma Portuguesa, implícito na expressão Ofiussa, a Terra da Serpente. Portugal é neste sentido o verdadeiro Muladhara Chakra da Europa e a cripta da Antiga Serpente.

Elevar o nível vibratório e de consciência da Terra é retomar no plano histórico o mito do Paraíso Perdido. Só assim se pode explicar a natureza francamente inocente da nudez ritual das práticas arcaicas da Bruxaria, que reproduziam no plano imaginário o retorno do mito paradisíaco da Era de Saturno. A Irmandade valoriza, por isso, como Templo de Inversão e Apotheosis, não estruturas artificiais mas lugares da natureza selvagem, picos de montanhas, seios esconsos de florestas, grutas e necrópoles, lugares vivos de intersecção dos mundos físicos e suprafísicos, Encruzilhadas de Poder e Transfiguração. Neste sentido, segue a tradição monista antiga de descida nas profundezas da Alma da Terra como itinerário da Alma no seu reencontro com os Ancestrais e a sua Apotheosis, isto é, a sua Deificação enquanto Serpente da Alba.

10 de Junho de 2015, Dia de Portugal

#QuestõeseTradições

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